De bom grado
Quem, de livre e espontânea vontade, aceita passar pelo infortúnio? Ninguém, em sã consciência, pediria para passar por tal lamúria. Porém, antes, é impossível; o durante é abominável; e o depois, suportável. Se conseguirmos chegar com sequelas e com vida até aqui, e estamos aguentando a intensificação do sofrimento, sendo abstraída pelo sumo bem desta condição, não se torne motivo de extermínio, mas, quando aferida, seja para nós a medida apurada para robustecer a fé. Ninguém consegue dar o melhor de si retirando ou extraindo do mau um esforço inverso que, na qualidade de bom, não se alcança, porque o bem já tem a função de gerar paz, ordem e equilíbrio naturalmente. Não desviar do caminho é aproveitar, da melhor maneira, integralmente, o sofrimento; caso desviar, trará muito mais desconforto, embaraço e imprecisão. Nosso cérebro foi criado para ampliar coisas simples e passageiras, mas aqui estamos falando de complexidade, como a tecnologia auxilia conexões, aumentando a velocidade e facilitando associar o contexto. Se alguém contasse para nós o que iríamos passar em vida, provavelmente não aceitaríamos, o convite para a aventura perigosa e cheia de desafios. Quando ainda temos consciência da luta diária para permanecer em Deus, não é simplesmente dizer, mas orar, sofrer, investir, resistir, amar, renunciar, lutar etc. Até às últimas consequências, para fazer sentido às inúmeras propostas que teremos ao combater o cansaço da azucrinação do inimigo. Nem sempre, quando ignoramos esta prática e permitimos que nossa mente seja controlada ou dominada por influências deliciosas ou encantadoras, devemos desconfiar de tudo ao redor, até às sensações ou sentimentos que rondam, principalmente, áreas afetadas e prejudicadas na nossa trajetória, sejam inconscientes, acariciadas, sem nós percebermos, atacadas especificamente nas fraquezas. Este é o perigo que estamos correndo. Infelizmente, não sabemos distinguir os ataques “revestidos” sob forma de uma fantasia maligna, de ilusão sedutora irresistivelmente perigosa, que interfere confundindo a percepção puramente dita, imprescindíveis e devastadoras, pisada no território ainda pouco explorado das consequências irrevogáveis, a curto prazo, dos prejuízos dos prazeres. Por isso, o sofrimento, em contrapartida, anula e quebra o efeito monstruoso dessa discrepância dos malefícios que o abuso que os prazeres impedem de reconhecermos que o sofrimento têm proporcionado, para com a aquisição da magnitude do novo ser. Não adianta sofrer e murmurar mas resistir com resignação a aceitação difundida da mesma. Autora: Juliana Amorim Alves.
Juliana Amorim Alves
Enviado por Juliana Amorim Alves em 07/08/2026