Caixa acústica
Por conseguinte, reunia somente as vozes que auxiliavam a permanecer de pé, resgatando com necessidade as lembranças positivas e recebidas do ambiente externo, funcionando como um aparelho em círculo, como uma sirene que dispara ao redor do núcleo, onde me posicionava como uma proteção formada por um teclado auditivo que trazia, no mesmo instante, o som de um barulho do registro, a memória da emergência de um mecanismo associado do passado, integrando estímulos como uma resposta condicionada do presente ao futuro. Por que o som, e não imagens? Provinda por forças que poderiam confundir, às vezes, com ataques e visualizações contaminados pelos sentimentos e afetos de culpa, desordenados, guardados e misturados pelo esquecimento. Aí está a confusão inerente: como não conseguimos ter acesso restrito ao inconsciente, precisamos, com urgência, mergulhar, e não temos equipamentos para o mergulho. De fato, a cura não acontece somente através da escuta. A fala ainda não é o suficiente, pois, através do contínuo esforço do próprio indivíduo, no caso aqui a mente silenciosa, busca também alternativas em não queimar etapas do processo, cada vez mais complexos; por sua vez, a tendência é o repúdio. Ao contrário, a estratégia do caminho nunca será a mesma. Porque o inimigo conhece as mesmas pegadas. Ocasionalmente, Deus não está lá apenas como uma direção supostamente à deriva. Não. É ridículo que, ainda diante dos fatos, continuemos querendo acreditar, que o milagre se realize, sem que o improvável aconteça.
Juliana Amorim Alves
Enviado por Juliana Amorim Alves em 15/04/2026