Entre obreiros e solavancos
Hoje, decidi ser uma estaca na mão do Senhor: dura, áspera, insignificante, esporádica. Onde me colocar, na vista ou retirada, jogada ao vento ou em qualquer entulho de construções, esticada ou atada para levantar ou firmar andaimes. Caso rachar, jogada ao muro, terra, pau seco; porém, quem sabe resistirei ao tempo e vendavais e continuarei rolando por aqui e por ali, um objeto sem nenhum valor estimável, mas dormirei entre caranguejos e escorpiões. Continuarei firme de sol a sol, em dias de chuva, relâmpagos, frio, calor, raios, trovões. Poderei ser confundida com aspecto rude, grosseria, desenxabida. Quanta bobagem, num toco qualquer! Agora, vocês irão compreender o porquê: na água, eu umedeço e racho toda despedaçada; no fogo, eu me queimo até virar cinzas. Entre escolher, depois do processo até chegar aqui, não temos opção: se sol ou se chuva, devemos morrer, e é o jeito de morrer que escolhemos que irá fazer toda diferença na hora da morte. Pensamento nisso!
Juliana Amorim Alves
Enviado por Juliana Amorim Alves em 07/04/2026